|
(Terça-feira, Julho 14, 2009)
Da beira
Estive a uma dobra da beira,
A uma dobra da beira
De lá, te vi por inteira
Só dalí te vi verdadeira
Enganar-se pra quê?
Se não há qualquer maneira
A beira abriga você
A beira te faz derradeira
(Alberto)
(Terça-feira, Junho 16, 2009)
Janela
Eu nem me via mais
Que nem sabia a paz
Saber é luxo, cantava,
É calmaria que o sentir espanta
Apertava os olhos, ligeiro,
Tentava a vida mais certa
Eu nem sabia que tinha que tentar
Eu nem via além da janela
(Alberto)
(Segunda-feira, Maio 11, 2009)
Sob o tempo
Tempo manso
Tempo imenso
Temo tanto
Tanto intento
(Alberto)
(Quinta-feira, Março 19, 2009)
Já vai
Nada, não
Já vai, já vai
Segue assim, sempre cedo
Mais da metade, e nunca inteiro
Nem importa, nem aperta
Abre o céu, vem o sol
Porta aberta
(Alberto)
(Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009)
Saber do Samba
Que sabe você do Samba?
Do não do sim
da intenção que aperta,
a porta aberta,
de um adeus sem fim?
Acha entender o enredo,
e tão cedo, sua vida ainda aflora.
Sabe nada da cadência,
da demência,
a intermitência da demora...
(Alberto)
(Segunda-feira, Janeiro 26, 2009)
Fugir
Sei não, parece caso de coisa pensada -- De um ir e vir que não te leva a nada -- Crente que a carência é coisa vã
Tem lá sua razão -- Fugir do sim mentindo eterno não -- Que olhar pra trás dói demais -- No pescoço
Não tarde antes de querer voltar -- Na passagem da paisagem -- Também há marcas de viagem -- Que indicam o caminho para cá
(Alberto)
(Segunda-feira, Janeiro 12, 2009)
Voo
Vou aí e te levo lembrança
Carregada no ombro em desejo
De malas pequenas, pesadas,
Vai comigo pouco do tudo que vejo
Vou sem deixar, senão fico
Aprendi: ir é egoísmo, desapego
Sempre a pensar no futuro
Vou, mas não sei quando chego
(Alberto)
(Sexta-feira, Janeiro 02, 2009)
Chuva forte, revolta, brava
Vai e vem, venta, estraga
Repetida, mágoa perdida
De tempo escuro
Mundo d’água
Nada o tempo leva que chuva não traga
(Alberto)
(Segunda-feira, Dezembro 15, 2008)
que leva os sonhos, que dobra a mão,
faz sem sentido ter, faz razão
que brilha sem cessar
Impede o sono, o destino
que brinca de deixar sozinho
que quebra o vento, redemoinho
que tanto insiste no existir
que nada, que é isso, que pena
que julga sem ver, e condena
(Alberto)
(Quinta-feira, Dezembro 04, 2008)
Maré
Vai dar maré
De virar a beira
não dar pé
Caminhar na areia
se perder, até
Afundar no raso
Deixa o tempo
vai-se o espaço
Reina o azul-castanho
Traz a maré
Onda de oceano
de mergulhar em contrapé
Acima dos olhos
perder a cabeça
Afogar no que aconteça
No mar que não foi
no mar que não quer
A maré já é
(Alberto)
|